Nesta seção, você encontrará o acervo acadêmico sobre o Quilombo Mimbó, com os materiais disponíveis na íntegra para consulta.
Autora: Dailme Tavares (Unesp)
Tipo: Dissertação
Localizado na região do Médio Parnaíba Piauiense, o quilombo Mimbó, situado na zona rural do município de Amarante, Piauí, foi originado por negros escravizados fugidos da região de Oeiras, primeira capital do Piauí no período da escravidão, que fixaram-se no vale do rio Canindé ás margens do riacho Mimbó de onde vem o nome do quilombo. A população é predominantemente negra com 530 habitantes que vivem da agricultura de subsistência e da criação de pequenos animais (cabras, porcos, galinhas, capotes). O enfoque do presente trabalho é a religiosidade. No Mimbó existe a prática de uma Devoção Mariana com o culto a Nossa Senhora da Saúde, padroeira local, festejada no mês de agosto desde o começo do século XX. E um terreiro onde os mimboenses praticam a Encantaria (religião afro-brasileira do Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí onde as entidades espirituais são denominadas encantados e organizam-se em famílias espirituais). O terreiro foi dedicado a Barba Soeira (entidade espiritual sincretizada com Santa Bárbara e Iansã) e fundado por Augusto Rabelo da Paixão na década de 1970, depois de desenvolver a crôa/cabeça (a mediunidade) no terreiro do mestre Zé Bruno, famoso chefe de terreiro e curador do povoado Nazaré no interior do município de Caxias, Maranhão. Os iniciados ou médiuns do terreiro do quilombo Mimbó se definem como “cavalos” das entidades espirituais, onde predomina a Encantaria de Barba Soeira chefiada pela entidade espiritual conhecida como “Légua-Boji-Buá” chefe da “Linha da Mata do Codó” ou Tambor da Mata.
Organização: Geovania Figueiredo da Silva, Jaerle Rodrigues Campêlo, José Ribamar Lopes Batista Júnior
Tipo: Livro
O livro apresenta um panorama amplo sobre a comunidade quilombola Mimbó, localizada na zona rural de Amarante (PI), destacando sua história, formas de resistência, organização social, cultura, religiosidade, educação, meio ambiente e modos de vida.
Formada por descendentes de africanos escravizados que fugiram da região de Oeiras no século XIX, a comunidade construiu sua identidade a partir da relação profunda com o território, com o rio Canindé e com práticas coletivas de sobrevivência. Ao longo do tempo, enfrentou dificuldades como isolamento geográfico, escassez de água, enchentes e acesso limitado a serviços públicos, mas mantém viva uma forte tradição de luta, solidariedade e preservação cultural.
A subsistência das famílias baseia-se principalmente na agricultura familiar, especialmente o cultivo da mandioca , na pesca, na criação de animais e no extrativismo, atividades voltadas tanto para consumo próprio quanto para geração de renda.
A religiosidade ocupa papel central na vida comunitária, marcada pela convivência entre o catolicismo popular e tradições afro-brasileiras, como a umbanda. A devoção a Nossa Senhora da Saúde, padroeira local, organiza importantes festejos anuais que fortalecem os vínculos sociais e culturais.
O livro também discute desafios contemporâneos, como educação, saúde, políticas públicas, inclusão social e impactos ambientais, mostrando como a comunidade busca melhorias sem perder sua identidade ancestral. Relatos de experiências, pesquisas de campo e vivências reforçam a importância do território como espaço de memória, pertencimento e continuidade histórica.
Mais do que um registro acadêmico, a obra evidencia o Mimbó como símbolo de resistência negra no Piauí e como exemplo de comunidade que preserva saberes tradicionais ao mesmo tempo em que enfrenta as transformações do mundo atual.
Autores: Noé Mendes e Airton Gomes
Tipo: Reportagem (Cadernos de Teresina ed. 4.
A reportagem publicada pela Prefeitura de Teresina devolve ao presente uma memória que o tempo não conseguiu apagar. Ao revisitar uma edição dos Cadernos de Teresina, o texto não apenas informa, mas ilumina um registro que permanece vivo, como uma fotografia que continua respirando dentro da história.
Esse tipo de documento tem a força dos testemunhos silenciosos. Revela como a comunidade foi vista em outro tempo e, ao mesmo tempo, permite perceber o quanto permanece essencial. Ler hoje essa reportagem é atravessar décadas e encontrar ecos que ainda ressoam, lembrando que a luta por dignidade, reconhecimento e permanência não pertence apenas ao passado.
Mais do que uma lembrança, trata-se de uma afirmação de existência. Cada linha preservada reafirma que histórias como essa não se encerram nas páginas de uma revista ou de um arquivo público. Elas continuam acontecendo, dia após dia, sustentadas pela memória coletiva e pela resistência cotidiana.
Revisitar esse registro é também um gesto de cuidado com a própria história. Porque quando um povo permanece, sua memória não é apenas lembrada, é continuamente reescrita no presente.